20 de setembro de 2010

Seleccionador nacional

Muito se tem falado do seleccionador nacional...do antigo, Queirós, do ainda mais antigo, Scolari, e do futuro, ainda uma incógnita (ou quase).
Nunca morri de amores por Carlos Queirós, embora não se possa negar o que de bom ele fez na estrutura da federação - a época de outro da nossa selecção com jogadores com Figo, Rui Costa, Fernando Couto entre outros, tem a mãozinha do professor...era ele, em 1989 e 1991, o responsável pelas camadas jovens da nossa selecção...e com ele no leme conseguimos os dois títulos mundiais de juniores...
Se não nos devemos esquecer o que de bom ele fez, temos de ter bem fresco na memória tudo o que ele não conseguiu fazer, nas duas passagens que teve como seleccionador - não conseguiu a união de um grupo, não conseguiu resultados, nunca apresentou fio de jogo, trouxe a instabilidade de volta para o grupo.
É complicado ser-se o mal amado é verdade, ainda para mais quando o antecessor conseguiu os melhores resultados de sempre da nossa selecção para além de reunir toda uma nação à volta da sua selecção, mas não é de agora que quando os resultados não aparecem o sacrificado é o treinador...Queirós já devia saber disso...Como tal não se entende o braço de ferro que manteve com a federação...e muito menos se entende o esforço que Madail fez, literalmente sozinho contra o "mundo", para manter o seleccionador no cargo....
Incompreensível também é o facto de se andar de estratagema em estratagema, de processo disciplinar em processo disciplinar para se demitir alguém que não se quer em determinado cargo...Para poupar dinheiro? Não fizeram bem as contas pois os pontos perdidos talvez provoquem maior prejuízo financeiro que a indemnização ao seleccionador....
Não se pode, nem deve, deste processo todo dissociar os jogadores...uns porque abandonaram o grupo quando sentiram que as coisas estavam mal...outros porque, demasiado novos para um abandono, se apresentam "lesionados" para representar o seu país...Embora condenável este tipo de atitude eu compreendo os motivos...quando as decisões que o líder toma se revelam erradas e incoerentes a maior parte das vezes é complicado lutar sozinho por um objectivo...
Atingido então o ponto de ruptura, após perda de pontos inexplicável, o que não falta, à boa moda lusitana, são nomes para seleccionador nacional...
De entre os nomes que foram surgindo, estrangeiros e nacionais, dois apareceram com maiores probabilidades: Mourinho (para dois jogos) e Paulo Bento (futuro).
Uma vez estando iminentes eleições na direcção da federação e considerando que, depois da dupla jornada em Outubro, a selecção só volta a jogar em Junho de 2011, a solução seleccionador por dois jogos, com Mourinho ou qualquer outro, não é de todo descabida....ficaria assim a critério da nova direcção a contratação de um seleccionador nacional e a questão dos próximos jogos ficaria resolvida sem que o futuro seleccionador ficasse "agarrado" a um possível desaire na dupla jornada de Outubro.
Porquê Mourinho? A selecção precisa de um treinador cuja capacidade de liderança esteja acima de qualquer dúvida...se há alguém com esse perfil esse alguém é Special One....
O que parecia ser, e a meu ver era, uma boa solução resultou em mais um "filme" em torno da selecção no momento em que o mais necessário é tranquilidade....Madaíl reúne com Mourinho...Mourinho aceita ajudar a selecção nestes dois jogos (bem consciente do "risco" que corria) e de forma gratuita... Madaíl fala com Florentino Perez que transmite, ou não, que o Real não cederia o treinador português...Madaíl não chega a reunir-se com Florentino Perez...de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos já dizia a minha avó...
Resta então o nome de Paulo Bento!!! e a minha pergunta é: um treinador que não conseguiu motivar um jogador como Miguel Veloso e cujo plantel era um poço de indisciplina conseguirá impor-se num grupo já tão castigado pelos acontecimentos e tão pressionado pelos resultados? temo que não....mas espero, a bem da selecção, que sim...
Aqui fica uma sugestão ao mais que provável novo seleccionador nacional: coloque os jogadores nas posições onde eles mais e melhor rendem...abandone o tradicional sistema luso (4x3x3) e implemente o por si tão amado 4x4x2 losango que de há muito, função dos jogadores disponíveis, julgo ser o sistema mais adequado para a nossa selecção..

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