1 de julho de 2018

Mundial 2018 - Rescaldo fase grupos


Terminada a fase de grupos e conhecidas todas as decisões impera-se o balanço. Das surpresas às grandes desilusões, passando por alguns sustos este mundial teve todos os ingredientes necessários a um grande espectáculo. Muitos golos, grandes defesas, lances caricatos, decisões polémicas não faltaram à festa.

No Grupo A imperou a lógica. Uruguai saiu vencedor demonstrando grande solidez defensiva (foi inclusive a única equipa presente que não sofreu qualquer golo), sector liderado pelo insuperável Godin, deixando a luta pela outra vaga para Rússia e Egipto, duelo do qual saiu vencedora a equipa anfitriã. Apesar de considerado o patinho feito do grupo, devido à sua inexperiência, a Arábia Saudita logrou uma das surpresas, venceu na última jornada o Egipto de Salah, vendo assim premiado o seu esforço. Quanto ao Egipto, recheado de bons jogadores, não se pode dizer muito, nem tão pouco que as dificuldades físicas do seu jogador mais conhecido justifiquem às más exibições. 

Já o Grupo B apenas trouxe como surpresas a combatividade dos marroquinos, impondo uma intensidade de jogo ao longo dos 90 min que causou bastante desconforto aos oponentes, e a excelente organização táctica de um Irão que dão deixava de aproveitar as oportunidades de ataque que surgiam, que o digam os espanhóis. Apesar das boas exibições o infortúnio de um auto-golo frente ao Irão, ao cair do pano, e a ineficácia contra os campeões europeus, logrou a Marrocos a eliminação à 2 jorn. O Irão por seu turno teve a capacidade e o mérito de adiar até ao último momento a questão do apuramento, podendo, frente a Portugal, te-lo conseguido mesmo no último instante. Apesar da intensidade e competitividade com que as quatro equipas do grupo disputaram as partidas imperou a lógica e os favoritos Espanha e Portugal seguiram em frente.

O grupo C composto por, França, Austrália, Dinamarca e Perú, deu lugar talvez aos jogos mais enfadonhos desta primeira fase. Com duas equipas que fazem da técnica a sua melhor arma, Perú e França, contra outras duas que têm como matriz de jogo os lançamentos em profundidade e o confronto aéreo, imperou o medo de perder, a segurança defensiva em determinante da importância da vitória. Apenas o Perú conseguiu despertar o interesse no grupo, jogando de forma rápida, apoiada, onde a capacidade técnica dos jogadores sobressaía. Apenas a ineficácia na hora do remate lhes travou um futuro mais brilhante. Apesar da vitória no grupo a França, considerada uma das candidatas ao título de campeã do mundo deixou no ar a dúvida se, contra equipas de outra complexidade teriam a capacidade de dominar e ganhar.

Num grupo onde constava a estreante Islândia, a sempre candidata Argentina, a irreverente Nigéria e a consistente Croácia, ficou demonstrado que não é o estatuto que vence os jogos, mas sim a organização, perseverança e competência. Sobre a selecção alvi-celeste recaía a responsabilidade de fazer brilhar o seu astro mas deixou a nu que um conjunto de grandes jogadores nem sempre é sinónimo de uma grande equipa. Se o empate com os islandeses já se revelava uma surpresa,, o que dizer da estrondosa derrota frente aos croatas. Com pé e meio fora do mundial os argentinos salvaram-se na ultima jogada da última partida. A Croácia, com exibições seguras, disse ao mundo que têm de contar com eles... 

Num grupo E onde se juntaram os pentacampeões mundiais Brasil, os imprevisíveis sérvios, os suíços e os costa riquenhos, não houve grandes surpresas. Os brasileiros lideraram a classificação desde a 1ª jorn, embora nem sempre de forma clara e convincente. Já os sérvios que tiveram o pássaro na mão no embate com os helvéticos mas viu a vitória escapar-se-lhe no derradeiro minuto. Da Costa Rica fica a imagem de uma equipa recheada de bons jogadores mas a quem ainda falta a experiência competitiva exigida em campeonatos do mundo. Sem grandes individualidades mas fazendo brilhar o colectivo os suíços ocupar a 2ª vaga muito graças ao empate da 1ª jorn conseguido através de um golo precedido de falta. Sem grande surpresa a classificação final apenas não conseguiu esclarecer se ou quando a magia canarinha vai aparecer.


Com Alemanha, só a campeã mundial em título, o México, sempre imprevisíveis, a Suécia, que já há muito deixaram de ser uns rapazes louros com bom jogo de cabeça, e a Coreia do Sul, inexperientes mas sempre combativos, não se esperavam grandes surpresas. Puro engano... Como diriam alguns, principalmente os germânicos, neste grupo F "o mundo virou-se ao contrário". Foi deste grupo que surgiram as verdadeiras surpresas A Suécia venceu o grupo com duas vitórias. O México entrou a bater o pé aos alemães, com um estilo de jogo "cínico" é verdade mas que deixou à vista fragilidades defensivas na selecção alemã.